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Carta aos que virão

Por Marcus Pestana

A marcha civilizatória atravessa os séculos e é obra de muitas gerações. O desenvolvimento humano é projeto coletivo que amadurece a partir dos sonhos, do trabalho e da luta de todos. A evolução da espécie não é caminho retilíneo, passa por crises, saltos qualitativos, inovações, guerras e conflitos. Nosso tempo pessoal não se confunde com o tempo da história. É preciso humildade e inteligência para não superdimensionarmos nosso papel na transformação da vida. E o contínuo avanço pressupõe responsabilidade com o futuro e solidariedade intergeracional.

Por Marcus Pestana (*)

Artigo publicado no jornal O Tempo, em 31/07/2017

A marcha civilizatória atravessa os séculos e é obra de muitas gerações. O desenvolvimento humano é projeto coletivo que amadurece a partir dos sonhos, do trabalho e da luta de todos. A evolução da espécie não é caminho retilíneo, passa por crises, saltos qualitativos, inovações, guerras e conflitos. Nosso tempo pessoal não se confunde com o tempo da história. É preciso humildade e inteligência para não superdimensionarmos nosso papel na transformação da vida.

E o contínuo avanço pressupõe responsabilidade com o futuro e solidariedade intergeracional.

No Brasil, diz-se que a memória é curta. Seria um sintoma de que as novas gerações valorizam pouco a experiência acumulada e transmitida pelas antigas? Mas, no sentido inverso, qual é o cuidado que estamos tendo com o horizonte futuro de nossas crianças e nossos jovens? Qual é o legado e a herança que estamos deixando para nossos filhos e netos?

Sem o espírito presente nos versos de Lupicínio: “esses moços, jovens moços, ah se soubessem o que eu sei”, gostaria de dialogar nestas linhas principalmente com as novas gerações.

A juventude sempre teve papel central nas grandes transformações do mundo contemporâneo. A generosidade, o espírito libertário, a alma aberta para o novo, a ousadia de mudar o que parecia imutável sempre foram suas características.

O Brasil de 2017 não está nada fácil para os jovens. Não é à toa que o fluxo de brasileiros jovens para países como Estados Unidos, Portugal e Austrália esteja crescendo. O desemprego entre os jovens está acima de 20%. E o que fazemos? Conscientemente ou não, arquitetamos um pacto geracional perverso e irresponsável, legando para as novas gerações brasileiras um sistema previdenciário insustentável e uma dívida impagável. Estamos trocando dívida futura por consumo e despesas presentes. E não recebemos procuração deles para tal irresponsabilidade. Ou mudamos com coragem, ou lhes entregaremos um país pior que o que recebemos.

O Brasil precisa entrar com ousadia no novo ambiente do século XXI. Abrir portas e janelas para a energia transformadora da juventude passar. Uma juventude que seja empreendedora e se liberte da tutela estatal. Uma juventude que transforme as redes sociais em instrumentos de inovação e solidariedade, e não de intolerância e individualismo. Uma juventude que erga efetivamente padrões de desenvolvimento sustentável que gere renda e emprego sem devastar o meio ambiente.

Por último e mais importante, uma juventude radicalmente comprometida com a liberdade e a democracia. Vejo jovens capturados por extremismos autoritários. A Nova República produziu a maior crise das últimas décadas. Mas não há salvação fora da democracia. Que os jovens ouçam o timoneiro da redemocratização, o Sr. Diretas, Ulysses Guimarães: “A grande força da democracia é confessar-se falível de imperfeição e impureza, o que não acontece com os sistemas totalitários, que se autopromovem em perfeitos e oniscientes para que sejam irresponsáveis e onipotentes”.

(*) Deputado federal pelo PSDB-MG

Link para ler no original: http://bit.ly/2vf63YC