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A superação da crise política e da herança maldita

Por Marcus Pestana

Com a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e a conclusão do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Brasil virou a página, encerrando turbulento ciclo de instabilidade. A política surge na história da civilização como terreno público onde interesses divergentes e conflitantes são arbitrados e as instituições conseguem erguer soluções para os desafios sociais e problemas coletivos.

Por Marcus Pestana (*)

Artigo publicado no jornal O Tempo, em 19/09/2016

Com a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e a conclusão do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Brasil virou a página, encerrando turbulento ciclo de instabilidade.

A política surge na história da civilização como terreno público onde interesses divergentes e conflitantes são arbitrados e as instituições conseguem erguer soluções para os desafios sociais e problemas coletivos.

No Brasil da Lava Jato, muitos brasileiros estão mergulhados num ambiente em que a indignação se converte em desânimo, ceticismo e postura antipolítica. A política é central na vida de qualquer sociedade. No Brasil, no entanto, a confiança anda baixa. Mas, como disse o filósofo grego, “não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”.

Nos últimos 15 meses, a política brasileira deixou de ser um campo de soluções e avanços para se tornar um entrave, um obstáculo, uma fonte permanente e inesgotável de surpresas negativas e impasses. O impeachment, o processo de cassação de Cunha e as fortes consequências da Lava Jato e congêneres sobre o Congresso formaram um verdadeiro tsunami na política brasileira, impedindo as discussões e as decisões necessárias. Infelizmente, muitos líderes brasileiros não têm a postura recomendada por Thomas Jefferson: “Quando um homem assume uma função pública, deve considerar-se propriedade pública”. Aqui, a inversão de valores é total, e a função pública torna-se ferramenta para a apropriação privada do espaço público por meio da corrupção, do nepotismo, do clientelismo.

Mas a verdade é que temos uma herança maldita deixada por Dilma e pelos governos do PT. Doze milhões de desempregados, podendo chegar a 14 milhões, fruto da maior recessão desde 1929. Queda da renda média dos trabalhadores, com perda de poder de compra e qualidade de vida. Inflação resistente e alta, apesar da paralisia econômica. Juros reais, os maiores do mundo, num país de endividados. Risco real em médio prazo de insolvência fiscal e default na dívida, o que seria a sentença de morte para o país. Uma das maiores cargas tributárias da América Latina e entre os emergentes. Sistema previdenciário injusto e insustentável. Investimento em queda. Crescimento projetado de -3,2% em 2016, contrastando com Índia (+7,4%), China (+6,6%) e Peru (+3,8%), por exemplo, desmentindo que a crise tem raízes internacionais. A crise é “made in Brasil” graças a decisões e atos equivocados do governo.

Com a posse de Temer, o índice de confiança de investidores, empresários e consumidores aumentou rapidamente. Mas isso não se sustentará se não fizermos o dever de casa. Ajuste fiscal, reforma da Previdência, modernização das relações de trabalho, simplificação tributária, reforma política e dinamização das parcerias com o setor privado não são construções ideológicas ou manobras partidárias, são exigências da realidade brasileira.

(*) Deputado federal pelo PSDB-MG

Link para ler no original: http://bit.ly/2coIiDU