Artigos

A voz das urnas: as eleições e o futuro

Por Marcus Pestana

No dia 2 de outubro de 2016, domingo, a sociedade brasileira se manifestou de forma clara e inequívoca sobre os destinos de nossas cidades e sobre a grave situação do país. As eleições são o momento maior de expressão da cidadania na democracia. Diante da urna, todos são iguais. O desenho do futuro nasce da alma, do coração e da consciência da maior parte da população.

Por Marcus Pestana (*)

Artigo publicado no jornal O Tempo, em 10/10/2016

No dia 2 de outubro de 2016, domingo, a sociedade brasileira se manifestou de forma clara e inequívoca sobre os destinos de nossas cidades e sobre a grave situação do país. As eleições são o momento maior de expressão da cidadania na democracia. Diante da urna, todos são iguais. O desenho do futuro nasce da alma, do coração e da consciência da maior parte da população.

Eleger bons prefeitos e vereadores é essencial para a definição da qualidade do ensino fundamental, do acesso às ações e serviços de saúde, da mobilidade urbana, da infraestrutura de saneamento, da oferta de moradias populares, do cuidado com as ruas, praças e avenidas, mas, acima de tudo, da qualidade de vida das pessoas. Mário Covas, nosso grande e saudoso líder, dizia que o povo nunca erra, podem lhe faltar as informações completas. Ou seja, a democracia acerta sempre no atacado e no longo prazo, às vezes erra no varejo e no curto prazo. É sempre aprendizado, processo contínuo de amadurecimento.

Embora as eleições municipais sejam sempre marcadas por aspectos locais, é evidente que revela também a percepção da sociedade sobre o momento nacional. Com todas as ponderações e relativizações, é inevitável visualizar um contundente e representativo pronunciamento da população sobre a atual crise.

A primeira conclusão possível é que, ao contrário de muitas expectativas, não houve um repúdio generalizado e indiscriminado ao conjunto do sistema político e partidário brasileiro. Havia apostas de que o ambiente marcado pela Lava Jato, pelo desemprego agudo e pela inflação alta resultaria no repúdio a lideranças políticas históricas e consolidadas e o paraíso dos “outsiders” antipolítica. Os resultados de ACM Neto, Firmino Filho, Doria, Arthur Virgílio, entre outros, mostram que a sociedade sabe bem separar o joio do trigo. As mazelas e os desvios da política devem ser corrigidos pela ação política.

Em segundo lugar, são inegáveis o espetacular resultado obtido pelo PSDB e o vigoroso repúdio à herança do PT. A votação nos candidatos do PSDB cresceu 25,1% em relação a 2012, saltando de 14.074.121 votos para 17.612.606. Enquanto isto, o PT despencou 60,9%, teve 17.448.801 votos em 2012 e apenas 6.822.964 em 2016. Nem o mais obtuso ou partidário analista pode negar que é uma clara legitimação do processo de impeachment e uma demonstração enfática contra a recessão e a corrupção generalizada. E isso foi reconhecido de forma explícita e transparente por um quadro histórico do PT, que é o ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro Olívio Dutra.

A reinvenção da democracia brasileira e a reconstrução do país passam, em grande parte, pela revalorização da temática local e de nossos municípios.

Só nos resta desejar sucesso aos novos prefeitos e vereadores. Que todos possam governar bem, inspirados pelos valores e princípios que iluminaram a vida do grande timoneiro da redemocratização, Ulysses Guimarães, cujo centenário foi comemorado na última quinta-feira: justiça, liberdade e ética.

(*) Deputado federal pelo PSDB-MG

Link para ler no original: http://bit.ly/2d2sGb9