Cartas do ITV

Virar a Página

O governo obteve vitória importante ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Parecer que autorizava abertura de ação penal contra o presidente Michel Temer por crime de corrupção foi rejeitado pelos deputados. É preciso avançar com esse processo para que o país vire a página que o paralisa há dois meses. A votação terminou com placar de 40 votos pela rejeição contra 25 favoráveis. Retirar um presidente da República do cargo é algo muito sério. Se todo mandatário estiver sujeito a ser defenestrado da cadeira por causa de acusações incomprovadas, ainda que graves, não haverá estabilidade política no país.

14 de Julho de 2017

Temer vence batalha na CCJ, mas decisão definitiva em plenário fica para agosto. País tem pressa em encerrar logo este processo, com o desfecho que tiver, para voltar a avançar

Carta de Formulação e Mobilização Política N 1625

O governo obteve vitória importante ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Parecer que autorizava abertura de ação penal contra o presidente Michel Temer por crime de corrupção foi rejeitado pelos deputados. É preciso avançar com esse processo para que o país vire a página que o paralisa há dois meses.

A votação terminou com placar de 40 votos pela rejeição contra 25 favoráveis. Retirar um presidente da República do cargo é algo muito sério. Se todo mandatário estiver sujeito a ser defenestrado da cadeira por causa de acusações incomprovadas, ainda que graves, não haverá estabilidade política no país.

O relatório de Sergio Zveiter incorria nos mesmos pecados da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Realçava acusações e suspeitas, mas igualmente não apresentava provas suficientes para demonstrar tanto que a mala de dinheiro carregada por Rodrigo Rocha Loures tinha Temer como destinatário, quanto ter havido interferência do presidente em órgãos como o Cade para azeitar pleitos da JBS.

A crônica do dia trata as iniciativas da presidência e seus aliados para virar o placar na CCJ como estratégia espúria. O debate deveria ser mais sóbrio. Trocar integrante de comissão, escalar deputado ou senador aliado para votar e liberar verba que consta do Orçamento é prática parlamentar corrente desde que o presidencialismo existe no Brasil.

Mesmo com todos os estratagemas, o resultado de ontem é demonstração da habilidade de Temer para lidar com adversidades no Parlamento. Nisso ele se destaca. Há uma semana, desde que fora escolhido o relator do processo na CCJ, a perspectiva era de aprovação do pedido da PGR. O governo usou as armas à mão para ganhar no voto – o que, no entanto, deveria, pelo menos, poupar qualquer risco de leilão da máquina estatal.

A vitória de ontem está longe de encerrar a batalha de Temer. Em 2 de agosto, o plenário da Câmara se manifestará sobre o pedido do Ministério Público. Será ainda mais difícil para a oposição ao governo sobressair-se: são necessários 342 votos, ou seja, dois em cada três, para que a investigação seja autorizada e o presidente afastado do cargo por até 180 dias.

É bem provável que, como parte da guerra que vem travando contra o mundo político, até lá a PGR tenha apresentado nova denúncia contra Michel Temer. Como a ordem ali é não dar sossego ao presidente, é possível que no início de agosto o país esteja com um olho no plenário e outro já mirando de novo a CCJ em mais um processo como o que se encerrou ontem.

O problema é que, enquanto continuar assim, vai perdendo o Brasil real. Há nas pessoas, nas empresas e até em entidades representativas clara sensação de exaustão diante desse caudal sem fim de escândalos. O país quer voltar a avançar, a andar para frente e o quanto antes esta página puder ser virada, com que desfecho tiver, melhor.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela