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Entrevista coletiva: senadores Tasso Jereissati e Aécio Neves

Em primeiro lugar, bem objetivamente, quero fazer uma análise do que ocorreu ontem, não apenas no país, mas em relação ao PSDB. Aquilo que alguns veem como algo negativo em relação ao partido, que foi um resultado dividido da sua bancada na Câmara dos Deputados, eu vejo como uma grande virtude do PSDB. A questão que foi discutida ontem, na Câmara Federal, não é algo programático. Na verdade, é uma questão de convicção e mesmo de consciência, onde cada parlamentar a exerceu em plenitude.

03 de agosto de 2017

Entrevista coletiva

Senadores Aécio Neves e Tasso Jereissati

Brasília – 03-08-07

AÉCIO NEVES

Em primeiro lugar, bem objetivamente, quero fazer uma análise do que ocorreu ontem, não apenas no país, mas em relação ao PSDB. Aquilo que alguns veem como algo negativo em relação ao partido, que foi um resultado dividido da sua bancada na Câmara dos Deputados, eu vejo como uma grande virtude do PSDB. A questão que foi discutida ontem, na Câmara Federal, não é algo programático. Na verdade, é uma questão de convicção e mesmo de consciência, onde cada parlamentar a exerceu em plenitude.

Não houve nenhuma indução, não houve nenhuma pressão, não houve nenhuma deliberação de qualquer instância partidária superior determinando que a votação fosse nessa ou naquela direção. Até porque não era uma questão programática, era uma questão circunstancial e efêmera, até porque já passou. Nas questões programáticas que dizem respeito ao país e ao seu futuro, nenhum partido tem sido mais coeso, mais solidário e mais corajoso que o PSDB, seja em relação às reformas que já foram encaminhadas, como as PECs do Teto (dos gastos), do Ensino e do Trabalho e de outras que estão em discussão, como a Previdenciária e a Tributária, e mesmo a Reforma Política. Portanto, essa não é uma questão que eu vejo como negativa. Ao contrário, foi uma questão circunstancial na qual o PSDB e cada parlamentar se manifestou da forma que achava mais adequada.

Agora, nossa prioridade é o futuro do partido, é a organização do partido, é a reconexão do partido com os setores da sociedade que sempre fomos próximos. Hoje de manhã, fiz um apelo ao senador Tasso Jereissati, que ao meu ver,  é a pessoa que tem as melhores condições, mesmo do ponto de vista pessoal, tendo demonstrado grande desprendimento, se dispondo, inclusive a deixar a Presidência do partido, fiz a ele um apelo em nome da unidade do partido para que o senador Tasso Jereissati continue presidente do partido e conduza, aquilo que é essencial: a discussão do programa partidário junto com vários setores da sociedade civil. Para que o PSDB volte a representar aquilo que sempre representou e foi essencial ao país: o instrumento das transformações e da modernização do Estado e das mudanças que o país ainda precisa viver. O PSDB fortalecido não é bom para o PSDB, é bom para o país.

O PSDB então continua no governo? 

Essa é uma questão, para nós, absolutamente secundária. Essa questão de cargos e ministérios pertence ao presidente da República, que fará aquilo que achar mais adequado em relação aos cargos do PSDB. Isso não é uma preocupação que nós temos. O que quero aqui afirmar é que ele, depois de várias consultas que fiz com vários líderes do partido, estão aqui o líder Paulo Bauer, o vice-presidente do Senado, senador Cássio Cunha Lima, conversamos com o governador Geraldo Alckmin, com outros governadores, ministros, outras lideranças, e o senador Tasso é hoje quem tem as melhores condições para conduzir a renovação do PSDB e a sua reinserção em setores importantes da sociedade. Vamos fazer, portanto, esse trabalho sob a liderança, a condução legítima do senador Tasso, e quero afirmar que, no nosso entendimento, estaremos fazendo uma antecipação até o final do ano, vamos ainda fazer consultas, não pudemos fazer até agora sobre as datas efetivas para esses atos, mas nos próximos meses haverá esse esforço de renovação do programa do partido. Dessas consultas conduzidas por Tasso Jereissati, vamos fazer antes do final do ano a antecipação das convenções municipais e das convenções estaduais que consagrarão este novo programa, conduzido pela liderança de Tasso Jereissati, e, até o mês de dezembro, a nossa intenção é fazer, aí sim, uma convenção nacional do partido para a renovação de toda a direção do partido e para apresentação do pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

Sobre calendário e prévias do PSDB.

Em relação ao cronograma do PSDB acertado com o senador Tasso Jereissati, o PSDB fará, até o final do ano, a renovação das suas direções municipais, estaduais, da sua direção nacional e apresentará o nome do seu pré-candidato à Presidência da República. Em havendo mais de uma alternativa, com apoio obviamente expresso de parcela importante do partido e como determina o nosso Estatuto, a nova direção partidária conduzirá em fevereiro e março do ano que vem uma consulta que poderia ser chamada de prévias ou de primárias.

Esse, portanto, é o calendário de consenso, de unidade do PSDB, porque em todos os instantes dos nossos quase 30 anos de vida a nossa unidade foi o nosso mais importante instrumento para mudar o Brasil. Com ela, mudamos o Brasil no governo do presidente Fernando Henrique, mudamos com o nosso apoio no Congresso Nacional, com governos inovadores que tivemos em vários estados brasileiros e, portanto, quero de público agradecer ao senador Tasso Jereissati ter aceito essa convocação para que continue liderando o PSDB nesse momento extremamente importante para todo o país.

TASSO JEREISSATI

O Aécio está abrindo mão da presidência ou ele continua licenciado e o sr. interino?

Esta questão é importante. O senador Aécio Neves continua presidente licenciado. Agora, a condução do partido de agora por diante, neste período de transição que termina no fim do ano, em que vamos desembocar com a nova convenção, a eleição do novo diretório, a eleição de um novo presidente, a eleição de uma nova executiva em todos os estados passando por uma ampla rediscussão dos ideais do partido, dos principais sobre os quais este partido foi fundado, uma autocrítica de onde nós nos desviamos desse partido, uma revisão e um novo programa, será conduzido evidentemente por mim, enquanto presidente, de acordo com toda a cúpula do partido. É esta a visão.

O sr. defende abertamente que o PSDB deveria desembarcar e deixar o governo. Como fica esta situação, já que senador Aécio reafirmou o apoio ao presidente Temer recentemente?

Vamos continuar, independentemente de qualquer coisa, aprovando todos os projetos que são do interesse do país, como a reforma da Previdência, por exemplo, a reforma política, por exemplo, a reforma tributária, por exemplo, como fizemos até hoje. O que nós não precisamos é de cargos no governo para estar fazendo isso.

O presidente da República é livre, tem o direito e deve escolher aquilo que for melhor para o seu governo. Se ele quiser tirar ministro, colocar ministro, não é problema nosso. Em nada muda a nossa posição em relação ao que é melhor para o Brasil. A nossa principal discussão hoje é a unidade do partido, é o futuro do país. Nós somos e temos consciência que o PSDB é um partido essencial para que o país tenha um equilíbrio no futuro, que não seja radical de direita, nem radical de esquerda, não seja dado a extremismos, que tenha uma conduta ética, e isso tudo faz parte dessa discussão que nós vamos reavivar no partido. Se tem ministro, se não tem ministro, isso é problema do presidente. Não é nosso problema.

O senhor vai defender que esses ministros entreguem o cargo? Existem decisões tão diferentes dentro do partido?

Não tem posições tão diferentes.

Ontem se mostrou…

Isso é uma posição específica, de consciência de cada um dos deputados, os deputados se comportaram como juízes, nós democraticamente, como sempre fomos, não impusemos nada a ninguém. Não ameaçamos, não impusemos, cada um vote como quiser, que ninguém vai ser punido. É essa a posição histórica do PSDB, que nós vamos continuar a manter.

Senador, em relação às reformas, também vai ser assim? A bancada vai estar liberada?

Não, em relação àquilo que for programático do partido nós vamos conversar com todos os setores do partido e vamos trabalhar juntos para que nós tenhamos votos homogêneos e maciços em torno desse projeto. Como sempre tivemos.

Senador, o senhor defende que os ministros tucanos deixem o governo?

Acho sem a maior importância isso. Como eu disse, quem manda nisso é o presidente da República. Se ele quiser tirar todos os nossos ministros é problema dele. O partido não faz questão desses ministérios. Isso fique bem claro. E isso em nada muda a nossa posição quanto à votação dos projetos necessários ao país.

O senador Aécio falou de candidato à presidência em 2018. O sr. considera o apoio do PMDB primordial para essa candidatura tucana para o ano que vem?

Vamos ter o nosso candidato, vamos ter o nosso pré-candidato, montamos agora um calendário dessas discussões que deságua na convenção no fim do ano e que nós vamos apontar o nosso pré-candidato. Se por acaso aparecer mais de um pré-candidato, nós faremos prévia. Então, isso já está dirigido o que nós vamos fazer. As alianças nós vamos construir no ano que vem.

O senhor acha que o senador Aécio será convocado para uma possível candidatura depois das denúncias e o pedido de prisão?

Não estou discutindo isso neste momento, o senador Aécio Neves tem o direito e está fazendo brilhantemente a sua defesa e por causa disso que ele está afastado da presidência do partido para poder se dedicar e provar a sua inocência.

A reunião da Executiva vai ser para logo, como quer o governador de São Paulo?

A reunião da Executiva vai ser o mais rápido possível. Da Executiva. A Executiva é a instância normal de reunião, que deve se repetir mensalmente, pelo menos daqui por diante.

Clique aqui para acessar o áudio da entrevista.

Fonte: Site do PSDB

Link para ler no original: http://bit.ly/2feJjSC