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Os erros do PT: Ex-ministro atribui derrocada petista à incapacidade do partido de tirar o país da crise

Um dos nomes fortes do Partido dos Trabalhadores, o ex-ministro do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso Genro, reconheceu a derrocada petista nas urnas e atribuiu o resultado ruim à incapacidade do partido de dar um rumo mais coerente ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Entre o que Genro chamou de “erros do PT”, também está a falta de autocrítica.

10 de outubro de 2016

Brasília (DF) – Um dos nomes fortes do Partido dos Trabalhadores, o ex-ministro do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso Genro, reconheceu a derrocada petista nas urnas e atribuiu o resultado ruim à incapacidade do partido de dar um rumo mais coerente ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Entre o que Genro chamou de “erros do PT”, também está a falta de autocrítica.

Nas eleições municipais deste ano, o PT elegeu apenas 256 prefeituras. Para se ter uma ideia da queda nos quadros do partido, no pleito anterior, realizado em 2012, foram 644 prefeitos eleitos. O número de votos recebidos também caiu consideravelmente: de 17,3 milhões para 6,8 milhões. Além disso, o partido conseguiu vencer em apenas uma capital, Rio Branco (AC), e ficou fora de disputas em redutos importantes, como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. No Nordeste, só concorrerá ao segundo turno em Recife.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (10) pelo jornal O Globo, Tarso Genro constatou que o péssimo resultado nas urnas se deve, em primeiro lugar, aos “erros do PT, cometidos na sua relação com o Estado e nas práticas tradicionais de financiamento eleitoral”, que ficaram desabrigadas na questão da ética pública.

“Em segundo lugar, esta derrota também veio da nossa incapacidade de interferir e dar um rumo reformista ao governo Dilma, para retirar o país da crise, por fora das medidas universais que vêm sendo ditadas pelo capital financeiro globalizado”, disse.

O ex-ministro afirmou ainda que foi o próprio PT que criou condições para que se realizasse o chamou de uma “ofensiva inédita” contra o partido, “tanto pela incapacidade de dar um rumo mais consequente e coerente ao governo Dilma, como para nos defender da condição de partido da corrupção”.

Para o deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE), o PT é vítima de seus próprios erros: instituiu uma estrutura hegemônica que tentou permanentemente “dividir o país entre nós e eles”, além de criar um ambiente de distensão política.

“Além disso, também houve a má prática na gestão, a incapacidade de fazer gestão eficiente da política econômica e da máquina pública de maneira geral, o que levou o Brasil a esse resultado. Outro ingrediente foram as denúncias graves de corrupção que envolvem o partido. Foi um verdadeiro caos de cultura que levou o partido à derrocada nessa eleição. Dificilmente, em um curto prazo, eles vão se recuperar”, avaliou.

Autocrítica

Ao jornal O Globo, Tarso Genro reconheceu que o PT sofreu uma “derrota política”, saindo da condição de “grande partido da esquerda para a condição de partido médio, com menos influência na esfera política”. Um dos problemas apontados por ele foi a falta de autocrítica, especialmente à época em que o partido se viu, pela primeira vez, diretamente implicado em um esquema de corrupção de grandes proporções, caso do mensalão.

“Se na época do ‘mensalão’ tivéssemos examinado quais os erros, programáticos e de condução política, que estávamos cometendo até ali, apontando-os publicamente para a nossa base militante e para o nosso eleitorado, nós talvez não amargássemos a situação atual”, concluiu.

O ex-ministro acrescentou que se o partido não conseguir mudar, “em breve ele sairá desta crise bem menor do que entrou. E a sua grandeza, que ainda existe em potência, será substituída por uma fisionomia lamentável: mais um partido tradicional no mercado dos votos”.

O deputado Betinho Gomes destacou que fazer uma autocrítica é sempre pertinente, mas que os problemas internos do PT devem ser resolvidos de forma a não prejudicar ainda mais o Brasil.

“O que o PSDB tem que olhar aqui é a sua contribuição para tirar o Brasil da crise, para superar esse ambiente de desconfiança que se gerou em função do governo petista. Essa tarefa é nossa. É uma tarefa do país e do PSDB. Quanto ao PT, eles vão ter que penar um pouco no purgatório até recuperar a confiança da população brasileira”, completou o parlamentar.

Leia AQUI a íntegra da entrevista de Tarso Genro ao jornal O Globo.

Fonte: Site do PSDB

Link para ler no original: http://bit.ly/2dG9z5E