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“Venezuela não tem legitimidade nem representatividade para assumir o Mercosul”, responde tucano a ministra de Maduro

Em resposta à decisão dos quatro países fundadores do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai –, que nesta quarta-feira (14) resolveram conduzir de forma conjunta a presidência temporária do bloco, a ministra das Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, acusou os países de tentarem “destruir o Mercosul via artifícios ilegais”. A chanceler também classificou a determinação como “um reflexo da política intolerante e do desespero dos burocratas”.

15 de setembro de 2016

Brasília (DF) – Em resposta à decisão dos quatro países fundadores do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai –, que nesta quarta-feira (14) resolveram conduzir de forma conjunta a presidência temporária do bloco, a ministra das Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, acusou os países de tentarem “destruir o Mercosul via artifícios ilegais”. A chanceler também classificou a determinação como “um reflexo da política intolerante e do desespero dos burocratas”. As informações são de reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

A manifestação do governo do presidente Nicolás Maduro foi rebatida pelo deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG). Para o tucano, que foi presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, a fala da chanceler venezuelana apenas reproduziu o discurso de uma “esquerda atrasada, reacionária, ditadora, que acha que tudo tem que atender aos princípios em que eles acreditam”.

“Na realidade, quem criou todo esse clima e esse ambiente no Mercosul foi a própria Venezuela. O que existe hoje é uma reação a um clima criado por eles mesmos, em que eles não têm mais legitimidade nem representatividade para assumir um Mercosul que vai dialogar com a União Europeia, com os Estados Unidos, com a Ásia, com a África. Dentro de um caos econômico e político do país, ficaria inviável realmente o Mercosul caminhar se eles assumissem a presidência do bloco”, justificou o tucano.

Todo o impasse quanto à presidência do Mercosul começou no final de julho, quando o Uruguai deixou o posto após os seis meses previstos. Pela ordem alfabética, o próximo país na fila seria a Venezuela. Argentina, Brasil e Paraguai, no entanto, defendiam a presidência colegiada, uma vez que Caracas havia falhado em adotar, em um prazo de quatro anos que venceu no último dia 12 de agosto, todas as normas com que se comprometeu para fazer parte do bloco. Com a decisão do Uruguai de se abster da votação, o consenso diplomático foi finalmente alcançado.

A oposição venezuelana comemorou a decisão do Mercosul. “A comunidade internacional hoje está ciente sobre a realidade [da Venezuela], onde se violam os direitos humanos e não há democracia”, disse, nesta quarta, o deputado opositor Luis Florido, presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional venezuelana.

O deputado Eduardo Barbosa destacou que a opção pela presidência colegiada do Mercosul salva o bloco de cair nas mãos de um país que vive uma crise política de grandes dimensões, onde a democracia é ignorada pelos seus governantes.

“Lá existem os ‘prós’, e todo mundo que não é a favor é rebaixado em uma categoria de não-pensantes, não possuidores de direitos, onde você inibe a expressão, inibe a fala, onde as pessoas são perseguidas, são presas, são até mortas. Na realidade, já não existe democracia. Se não existe democracia, isso é muito distante dos princípios dos direitos humanos”, considerou.

“Com certeza, as pessoas que estão vivendo sob esse chicote de um governo ditatorial sentem, com essa reação, um posicionamento da América do Sul mais veemente que nunca aconteceu anteriormente, apesar das lideranças da oposição pedirem isso aos governantes dos países. Hoje, estamos vendo que governantes da América do Sul estão se posicionando e, inclusive, em consonância com o pleito daqueles que já denunciavam esses atos de violação de direitos”, completou o parlamentar.

A Venezuela pode ainda ser suspensa do Mercosul, caso não consiga se adequar a todas as regras até o dia 1º de dezembro. Entre elas está o Protocolo de Assunção sobre Compromisso com a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos do Mercosul (2005), que estabelece que os países do bloco devem respeitar “a plena vigência das instituições democráticas e o respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais”.

Fonte: Site do PSDB

Link para ler no original: http://bit.ly/2cBzEke